sábado, 24 de janeiro de 2026

JORNAL O PASQUIM * Vanguarda Popular Revolucionária/VPR

JORNAL O PASQUIM
Nº537 RIO DE 12 A 18/10/1979

EIS O ANTÍDOTO PARA O MAL DE CHAGAS (governador Chagas Freitas,45.° Governador do Rio de Janeiro Período 15 de março de 1979 até 15 de março de 1983)

Em 1982, Brizola concorreu a governador do Rio de Janeiro na primeira eleição livre e direta para o governo fluminense desde 1965; Darcy Ribeiro foi seu candidato a vice-governador. Para compensar a falta de quadros no PDT, comandou o ingresso em sua coligação de pessoas sem vínculos anteriores com a política profissional, como o líder indígena Mário Juruna, o cantor Agnaldo Timóteo e um número considerável de ativistas afro-brasileiros. Brizola estava ciente de que essa última incursão na política racial contradizia suas políticas anteriores, mais convencionalmente radicais; ele apelidou sua ideologia de "socialismo moreno". 

Centrando sua campanha em questões como educação e segurança pública, apresentou uma candidatura que se propôs a manter o legado de Vargas. Ao desenvolver um núcleo de militantes combativos em torno de si mesmo—a chamada Brizolândia—Brizola liderou uma campanha que provocou confrontações violentas e brigas de rua com um humor paradoxalmente festivo, expresso pelo lema Brizola na cabeça.
Para ter sua vitória na eleição de 1982 reconhecida, Brizola teve que denunciar publicamente o que o Jornal do Brasil descreveu como uma tentativa de contabilização fraudulenta das cédulas de votação pela empresa privada Proconsult—uma empresa de engenharia informática de propriedade de ex-funcionários do serviço de inteligência militar—contratada pelo Tribunal Regional Eleitoral para informatizar a fase final da apuração. 

Durante o início do processo de contagem dos votos, a Proconsult afirmou repetidamente que Moreira Franco seria eleito—Arcádio Vieira, dono da empresa, estimou que Moreira ganharia com vantagem de cerca de sessenta mil votos—, tendo como base resultados predominantemente de áreas do interior, onde Brizola possuía desvantagem. Estes prognósticos foram imediatamente ecoados pela TV Globo. 

Ao denunciar esta alegada fraude em coletivas de imprensa, entrevistas e declarações públicas—que incluíram uma discussão ao vivo com Armando Nogueira, diretor da Globo—Brizola evitou que o esquema tivesse qualquer chance de sucesso. Ele acabou sendo eleito com 1,7 milhão de votos, uma diferença de 3,6% em relação a Moreira.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

ANIVERSÁRIO DE LEONEL BRIZOLA * Vivaldo Barbosa/RJ

ANIVERSÁRIO DE LEONEL BRIZOLA
Por Vivaldo Barbosa 
(presidente interino do novo PTB)

Hoje, 22 de janeiro, marca o nascimento de Leonel Brizola, no ano de 1922.

Brizola foi um dos políticos mais fulgurantes da política brasileira durante a segunda metade do Século XX.

Foi Deputado Estadual ainda jovem, ainda estudante de engenharia. Foi alçado a Deputado pelos jovens trabalhistas que entraram na fundação do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), fundado em 1945, ele presidente da sua Ala Moça.

Brilhou como Deputado Estadual e foi para a Secretaria de Obras, depois Deputado Federal e Prefeito de Porto Alegre. Pelas imensas realizações na Secretaria, especialmente rasgando estradas para escoar a produção agrícola para os portos na costa, e na Prefeitura, onde começou a realizar seu sonho pela Educação e por moradia, foi alçado a Governador do Rio Grande do Sul.

O PTB se firmava como o partido mais importante do Brasil. Junto com Brizola, foi eleito governador do Rio de Janeiro, Roberto Silveira, uma das mais belas e promissoras figuras da política brasileira e uma vibrante Bancada de Deputados Federais, que marcavam, todos, uma grande mudança na política no Brasil. E com eles despontava um grande líder nacional, Joao Goulart, o Jango.

Como Governador do RS, Brizola, dentre tantas coisas, fez mais de 6.000 escolinhas para o interior, em cada lugarejo, em cada fazenda. Abriu estradas, desapropriou as empresas estrangeiras de eletricidade e telefonia, pois não faziam os investimentos necessários para o desenvolvimento do Estado. Fez reforma agrária, a mais ampla e completa já feita no Brasil.

Com a renúncia de Jânio Quadros, diante da atitude dos ministros e outros chefes militares quererem impedir a posse de Jango, Brizola levantou o Rio Grande do Sul para garantir a legalidade e a Constituição e mobilizou amplas áreas do Brasil. Venceu, Jango tomou posse.

Brizola foi eleito Governador do Rio de Janeiro por duas vezes. Como Governador do RJ, realiza o projeto de Educação mais espetacular já realizado no Brasil, os CIEPs, junto com Darcy Ribeiro e com auxílio de Oscar Niemeyer. Mais de 500 CIEPs construídos no RJ, com instalações amplas. Ali as crianças tomavam café-da-manhã, aula, almoço, esporte, segunda professora para ensinar a estudar, médico, dentista, quadras de esporte e muitos com piscina.

Brizola era possuído da coragem cívica e patriótica necessária à política para sobrepor-se ao fisiologismo e aos interesses particulares. Nada abalava as suas convicções, nada temia, sem perder o bom senso, mas com firmeza para defender os interesses do Brasil e do povo brasileiro, especialmente dos humildes.

Nós hoje estamos lutando para refundar o PTB, para trazer de volta o trabalhismo, como sonhava Brizola e que ele assumia como seu dever. O trabalhismo foi o movimento político mais autenticamente nacional, expressava o sentimento do povo brasileiro como nenhum outro, incorporava os interesses dos trabalhadores na defesa de seus direitos trabalhistas e Previdencial Social, a defesa das nossas riquezas, a reestruturação do Estado nacional para fazê-lo capaz de enfrentar os poderosos daqui e de fora. Fez-se aqui, aos trancos e barrancos, com acertos e erros, virtudes e defeitos. Mas nacional, brasileiro!

Brizola tentou resistir ao golpe de 1964. Não conseguiu. Ficou 30 dias escondido em Porto Alegre antes de se asilar no Uruguai, onde já se encontravam Jango e diversos outros do PTB e partidos afins.

Após 13 anos confinados no Uruguai, Brizola é expulso do Uruguai, (o governo militar preocupou-se dele ser morto pela Operação Condor). Vai para Nova York, é bem recebido pelo Presidente Carter, percorre países europeus, México e outros, tenta unir aos exilados e trabalha pela democracia no Brasil, se engaja na Internacional Socialista, é recebido como Vice Presidente e faz uma movimentação política fulgurante, como nenhum outro, anima os movimentos de anistia no Brasil. Retorna em 1979 do exílio para reengajar-se na luta política brasileira.

Ainda no exterior apresentava-se como representante do PTB. No retorno, tentou refazer o PTB, mas foi golpeado por forças superiores que atuaram no TSE para impedi-lo, em articulação feita pelo General Golbery, uma das principais figuras do golpe de 1964. Fundou o PDT para tentar manter vivo o trabalhismo.
Nesta data que marca 104 de seu nascimento, homenageamos Leonel Brizola, reafirmando nosso compromisso de refundar o PTB e trazer o trabalhismo de volta.

Vamos chegar lá!