Mostrando postagens com marcador patriotismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador patriotismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

ENTREVISTA LEONEL BRIZOLA * Frente Patriótica Lronel Brizola/FPLB

ENTREVISTA LEONEL BRIZOLA

Dois meses antes do Golpe de abril de 64, Leonel Brizola foi entrevistado pela Monthly Review, revista que desde 1949 reunia a fina flor do pensamento marxista como Leo Huberman, Paul Baran, Paul Sweezy, Harry Magdoff e Fred Magdoff. Esta entrevista de Leonel Brizola constitui mais uma prova de seu anti-imperialismo e revela como o pessoal da universidade aqui no Brasil o interpretou maldosa e equivocadamente como “populista”. A verdade era outra: Leonel Brizola foi um político socialista.


MR – No momento Leonel Brizola é sem dúvida o líder popular mais influente da Frente de Mobilização Popular, um organismo que engloba a esquerda. Ele frequentemente fala ao povo na rádio mais ouvida do Brasil, ele fala uma linguagem clara usando muitas imagens e comparações.

BRIZOLA – “Você terá observado” (ele começou sem esperar a pergunta), “que o fato mais relevante no Brasil de hoje é a sua inflação. Nas atuais circunstâncias, a inflação é um problema insolúvel, porque sua origem é externa e controlada de fora, ela é um produto da pilhagem imperialista.”

MR – O processo inflacionário está acelerando?

BRIZOLA – “De janeiro de 1945 até dezembro de 1952 o custo de vida duplicou. Foram oito anos. Duplicou novamente de 1952 a 1958 em apenas seis anos, e de 1958 a 1961, três anos; outra vez de janeiro de 1962 a junho de 1963, um ano e meio. Agora o custo de vida duplicará em oito ou nove meses.”

MR – Como o senhor explica isso?

BRIZOLA – “É como se o imperialismo tivesse colocado uma grande bomba de sucção em nosso corpo para poder sugar nosso sangue. Já que não podemos resistir, o imperialismo retira o sangue e injeta água no seu lugar. O dinheiro que é posto aí, que não representa valor real, é a água. E é assim que nós vivemos. Mas o colapso virá, está se aproximando a passos de gigante.”

MR – Como ocorrerá o colapso?

BRIZOLA – “Pouco a pouco a situação está se tornando mais difícil de segurar: em vista disso, as classes dominantes, apoiadas pelo imperialismo, estão se unificando para dar um golpe de direita, a fim de estabelecer um governo de força, uma ditadura, seja ela escancarada ou disfarçada. Evidentemente seria difícil impor uma ditadura, pois já não é fácil enganar o povo. Nós estamos dispostos a lutar, estamos preparados, e isso será o começo da luta revolucionária pela libertação nacional. O exemplo de 1961 mostra que o povo lutará junto com os seus irmãos do Exército – os sargentos, os cabos, os soldados e os oficiais nacionalistas”.

MR – Quais são as condições necessárias para essa luta?

BRIZOLA – “Organização e unidade. Nós tivemos problemas com os erros cometidos pelo partido Comunista e por Francisco Julião. Devemos no entanto reconhecer que Julião possui o grande mérito de ter despertado o setor mais oprimido da nossa população: os trabalhadores rurais. E nós acreditamos que todos esses erros serão superados. Nós não somos anti-comunistas, recebemos bem a todos os brasileiros patriotas que venham a lutar pela libertação de seu país. O problema latino-americano tem de ser concebido como um problema de libertação nacional. Sem libertação nacional não podem existir as reformas de base porque não se resolve problema da pobreza.”

MR – Como o senhor pensa a revolução?

BRIZOLA – “Em primeiro lugar precisa ter unidade de todo os patriotas. É imperativo que a revolução encontre soluções socialistas. E não é uma questão de escolher uma doutrina de um livro. Somente as soluções socialistas é que permitem a defesa dos povos contra o imperialismo.”

(Ele me interrompe, sorrindo, antes que eu possa fazer a próxima pergunta.)

BRIZOLA – “Você vai me perguntar como cheguei a estas conclusões. Na época em que me tornei governador, eu era político convencional com todos os preconceitos habituais. Eu estava convencido de que bastava uma boa administração, trabalhar duro para melhorar a situação do povo em todos os setores. Mas eu vi que o povo trabalhava mais e melhor e, apesar disso, estava ficando pobre. Então, eu tive a compreensão do problema da América Latina em conjunto. Depois, quando tomei medidas contra determinadas companhias que nos exploravam, eu vi diante de meus olhos o problema da opressão imperialista. Olhe: é como se você e eu quiséssemos arrumar a mobília desta sala, mas alguém está carregando-a para fora. Aí chega uma hora em que não há mais mobília para arrumar. Por conseguinte, a primeira tarefa nossa é fechar a porta para impedir a espoliação.”

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

GETULIO ESTÁ MORTO. LONGA VIDA A GETÚLIO! Aurélio Fernandes/RJ

GETULIO ESTÁ MORTO. LONGA VIDA A GETÚLIO!

O projeto histórico de Vargas não é atual.
A atualidade está em sua Carta Testamento.

"Não há, portanto, nenhum conflito real entre o revolucionário e a tradição, exceto para aqueles que concebem a tradição como um museu ou uma múmia. O conflito é efetivo apenas com o tradicionalismo. Os revolucionários personificam a vontade da sociedade de não se petrificar em um palco, de não se imobilizar em uma atitude. Às vezes, a sociedade perde essa vontade criativa, paralisada por uma sensação de exaustão ou desencanto. Mas então, inexoravelmente, seu envelhecimento e seu declínio são verificados."

(José Carlos Mariátegui, "Heterodoxia e decadência", 1927)
Hoje, passados 66 anos, o chamado de Vargas na Carta

 Testamento ao protagonismo da classe trabalhadora e a denuncia do domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais aliados a burguesia continuam atuais e são o maior de seus legados.

Esse documento histórico constata o esgotamento do projeto nacionalista burguês de Getúlio, baseado na política de conciliação entre capital e trabalho e em plena consolidação do imperialismo estadunidense na América Latina. O suicídio e a carta testamento não obedecem a uma lógica de desespero, mas refletem o ato de uma liderança política consciente do momento histórico, de seu papel junto às massas trabalhadoras e, que deixa para as próximas gerações a clara orientação de que um desenvolvimento voltado aos interesses das maiorias não é possível nos limites impostos pelo capital aos países dependentes.

Com a divulgação da Carta Testamento e os milhões de trabalhadoras e trabalhadores indignados que saem às ruas no dia seguinte ao seu suicídio, atendendo ao chamado da Carta Testamento, Getúlio entra para a história protagonizando o ato fundador da superação dialética de seu projeto de nação para uma lógica nacionalista popular. Essa lógica vai pautar uma reaproximação pela base de trabalhistas, socialistas e comunistas na década seguinte, dando conteúdo ao crescimento vertiginoso da esquerda a partir da mobilização popular pela Legalidade e da ascensão da organização popular nas lutas pelas reformas de base no inicio da década de 60.

O legado de Vargas não foi uma amarra diluidora da ação das trabalhadoras e dos trabalhadores brasileiros, mas um elemento formador de sua cultura e experiências cujo legado ultrapassou a lógica de tentativas de cooptação política. De 1954 a 1964, a cultura política dos trabalhadores apropriou-se desse legado de acordo com suas experiências, expectativas e, sobretudo, com os avanços na sua consciência de classe, operou deslocamentos em seus significados e propósitos originais.

Foi exatamente essa radicalização que levou em 1964, as mesmas forças políticas conservadoras e reacionárias que levaram Getúlio ao suicídio, as classes dominantes aliadas ao imperialismo, impedirem com um golpe de Estado que o movimento de lutas das trabalhadoras e dos trabalhadores da cidade e do campo avançasse no processo histórico da revolução brasileira.

Após a ditadura, a maioria esmagadora do autoproclamado campo de esquerda e nenhum dos governos federais eleitos ou com a participação desses setores ousou sequer questionar a lógica do desenvolvimento associado e dependente do capital internacional imposta à nação brasileira pelas burguesias agro-exportadora e industrial associadas ao imperialismo desde o golpe militar.

Assim, ao não retomar o fio da história da revolução brasileira chegamos a atual conjuntura onde assistimos um brutal aumento da superexploração das trabalhadoras e dos trabalhadores da cidade e do campo e a destruição da pequena e média burguesia e dos pequenos e médios camponeses, estraçalhados pelo brutal processo de concentração nos meios de produção e distribuição causadas pela crise econômica, aprofundados pelas medidas antipopulares e entreguistas dos governos de Temer e Bolsonaro.
Perante essa realidade alguns setores políticos apelam a um tradicionalismo varguista que aponta uma “atualidade” do projeto histórico nacionalista burguês de Vargas que impossibilita perceber a necessária e histórica superação criativa da tradição vinculada a esse legado nos dez anos de acirramento da luta de classes que se seguiram ao seu suicídio.

Um projeto histórico vinculado aos interesses das trabalhadoras e trabalhadores da cidade e do campo em nosso país tem de reconhecer a "palavra operária e popular" na lógica de solidariedade que prevaleceu na mobilização política do povo trabalhador em torno à tradição do legado de Vargas, mas, por outro lado, tem de entender que essa tradição foi superada dialeticamente pelo nacionalismo popular de Jango que por sua vez estava sendo historicamente suplantado pela ótica nacionalista revolucionária identificada estrategicamente com o socialismo defendida por Brizola.

Resgatar o legado de Vargas no atual momento histórico significa resgatar o fio da história desse passado de lutas do povo trabalhador que aponta para a necessidade de superação do Estado burguês fruto da retomada da Revolução Brasileira e não na distopia de um nacionalismo desenvolvimentista nos marcos do capitalismo dependente.

sábado, 22 de junho de 2024

BRIZOLA ETERNO HÁ 20 ANOS * Frente Patriótica Leonel Brizola/RJ

BRIZOLA ETERNO HÁ 20 ANOS

Em um dia como hoje, 21 de junho de 2004, falecia Leonel Brizola, aos 82 anos
Há exatos 20 anos, o Brasil perdia um dos maiores defensores do trabalhismo e da educação pública do país

Exilado por 15 anos no Uruguai durante o período da ditadura, Brizola voltou ao Brasil em 1979 - Foto Reprodução

No dia 21 de junho de 2004, o Brasil se despedia de Leonel Brizola, um líder que dedicou sua vida à luta por justiça social, democracia e educação pública. Seu legado continua a inspirar gerações e a mobilizar aqueles que buscam um Brasil mais justo e igualitário.

Leonel Brizola nasceu em 22 de janeiro de 1922, em Cruzinha, no Rio Grande do Sul. Desde jovem, envolveu-se na luta por um país mais equitativo. Sua carreira política foi marcada por momentos significativos na história do Brasil, desde sua participação na Revolução de 1930 até seu exílio durante a ditadura militar e seu retorno à vida pública após a Lei da Anistia.

Aos 23 anos, foi um dos fundadores do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), criado pelo presidente Getúlio Vargas. Em 19 de janeiro de 1947, foi eleito deputado estadual constituinte. Durante seu mandato na Assembleia Legislativa gaúcha, apoiou a instituição do regime parlamentarista no Estado, decisão posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.

Em 1945, ingressou na Universidade do Rio Grande do Sul, onde se formou em Engenharia Civil em 1949. Casou-se com Neuza Goulart, irmã do então deputado estadual João Goulart, em 1º de março de 1950, com Getúlio Vargas como padrinho de casamento. Na eleição de 3 de outubro de 1950, Brizola foi reeleito deputado estadual, tornando-se líder do PTB na Assembleia gaúcha.

Brizola candidatou-se a prefeito de Porto Alegre em 1951, sendo derrotado por uma pequena margem de votos. No ano seguinte, assumiu a Secretaria de Obras do Estado do Rio Grande do Sul, convidado pelo governador Ernesto Dornelles. Em 1954, foi eleito deputado federal, mas deixou a Câmara dos Deputados ao ser eleito prefeito de Porto Alegre em 1955. Durante sua gestão, priorizou a construção de escolas primárias e a melhoria dos transportes coletivos.

Nas eleições de 1958, foi eleito governador do Rio Grande do Sul com mais de 55% dos votos. Em seu governo, ocorreu a estatização da Companhia Telefônica Rio Grandense, uma subsidiária da empresa norte-americana ITT. Brizola também deu grande ênfase à educação, construindo milhares de escolas primárias, técnicas e ginásios.

Em 1960, apoiou a candidatura de Henrique Teixeira Lott à presidência e de João Goulart à vice-presidência. Jânio Quadros venceu a eleição, com Goulart como vice-presidente.

Em 25 de agosto de 1961, após a renúncia de Jânio Quadros e o veto militar à posse de Goulart, Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, defendeu a legalidade constitucional através da "Cadeia da Legalidade", uma rede de rádios. Com o apoio do III Exército, a população gaúcha se preparou para defender a democracia. As negociações resultaram na adoção do regime parlamentarista, permitindo a posse de Goulart.

Em 1963, o presidencialismo foi restaurado após um plebiscito. No entanto, o descontentamento das classes conservadoras e militares levou ao golpe militar de 1964. Brizola, eleito deputado federal pelo recém-criado Estado da Guanabara, teve seu mandato cassado e direitos políticos suspensos.

Conhecido por suas ideias inovadoras e compromisso com a transformação social, Brizola foi um líder visionário. Implementou políticas públicas pioneiras como governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, destacando-se os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), que ofereciam ensino gratuito e integral.

Brizola foi um defensor incansável da democracia, direitos humanos e justiça social. Lutou contra a repressão durante a ditadura militar e, após seu retorno ao Brasil, tornou-se um líder na redemocratização do país.

Vinte anos após sua partida, o legado de Leonel Brizola permanece vivo. Seus ideais trabalhismo, justiça social, democracia e participação popular continuam a inspirar aqueles que lutam por um Brasil mais justo.

FRONTEIRA LIVRE